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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Vandalismo (?)

Antecedendo a 28ª Bienal de São Paulo, eu escrevi um texto sobre as novidades e ousadias da exposição desse ano, que entre tantas coisas, teriam obras onde o público pudesse interagir e um saguão vazio onde estes pudessem fazer o que bem pretendesse.
Eis que acontece de um grupo, que está sendo chamado de vândalos, meliantes, pixadores, baderneiros e entre tantos outros adjetivos, se manifestam no tal saguão vazio. Pixam frases como, “abaixa a ditadura”, “fora sistema”, logo a segurança da bienal é acionada e tentam conter o grupo, para quando a polícia chegasse, resolvesse o “pepino”, mas quase todos conseguiram fugir, sendo que só uma garota ficou no poder dos seguranças, foi presa com a chegada da polícia que a classificou como vândala e ameaça a patrimônio nacional.

Foi feito tudo errado, jamais ela poderia ser presa, até onde eu sei, ela não cometeu nenhum ato de vandalismo, o saguão foi feito para qualquer estilo de arte e manifestação, li no script da bienal, que dizia isso. E mais, uma das curadoras disse que isso só poderia ser um ato de gente da periferia. Com essa fala, ela classifica o que sendo periferia, o que sendo gente da periferia? Então se fosse um pintor e pintasse uma linda paisagem nas paredes do saguão, seria maravilhoso?
Segundo li, as notícias de vandalismo só ocorreram depois que os seguranças disseram que chamariam a polícia, então o grupo quebrou as vidraças e fugiu.

Li muitos blogs, que condenaram a ação da bienal e muitos que condenaram o que o grupo fez. O que aconteceu foi exatamente igual à proposta da bienal, interação total do público, e quando isso aconteceu, eles coagiram, não dá para entender, menos ainda as manifestações contra o grupo.

Ao meu ver, a bienal perdeu uma grande oportunidade de discutir o assunto.
Há textos por aí que classificam o grupo de gangues, e falam que sim, o grupo é uma gangue.


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

novembro, 2008.

Bom mesmo é (re)ler.

Reler um livro, para mim é ótimo, relendo Mrs. Dalloway, encontrei algumas coisas que na primeira vez eu não havia encontrado, a releitura, nos faz dar uma nova analisada na obra, pois a empolgação e situação, são outras. Assim como é com os filmes, na primeira vez em que assistimos, estamos com a empolgação da estréia, então algumas situações deste nos passa despercebido, já na outras vezes em que assistimos, conseguimos com mais calma sentir o filme.
Mrs. Dalloway é um livro impar, Virginia usou de recursos contemporâneo na grande obra. Uma das frases que mais me encanta é a do início do livro. “Mrs. Dalloway disse que ela própria ia comprar flores”. A partir dessa frase, Clarissa começa uma aventura pela Londres de sua época, e toda a sua experiência nessa sua saída será usado na obra inteira, o livro é uma delícia.
Junto com o livro de Virginia, estou lendo As memórias do Livro, de Geraldine Brooks. Estou no início, mas pelo que ouvi e pelo começo da história, o livro promete. O enredo é a descoberta do livro Hagadá de Saravejo, e uma curadora famosa é chamada para analisar o manuscrito.
Assim que terminar esses, quero ler a nova tradução do livro Os irmãos Karamázov, de Dostoéviski, já o tenho em mãos, mas esperarei uma oportunidade melhor para lê-lo.


Noël, 1975.

Descobri por meio de um amigo, um filme maravilhoso, C.R.A.Z.Y.. Desde o nome até os créditos finais, o filme é maravilhoso. É a história de um patriarca francês durão, que se depara com a necessidade de se modernizar sem querer por causa dos cinco filhos que tem, mas a história se concentra mais no quarto filho deste.
De nome Zac, o menino já nasceu especial, por ter tido complicações no parto, e ter quase morrido, sua mãe colocou na cabeça dele e de toda a família que Zac tinha um dom. Mas, o que tem um foco na história de Zac, são as questões de sua sexualidade, que desde criança o a tormenta. O filme é lindo, denso e que nos faz querer ver sempre. Não é legal passar aqui todo o enredo do filme, o interessante, é assistir mesmo.
A trilha sonora de C.R.A.Z.Y. é uma história à parte, Zac, é apaixonado por David Bowie, e chega até imitá-lo, o que causa conflitos entre seus irmãos. Por aí dá pra se ver que o filme é ótimo.
Aliás, C.R.A.Z.Y. é as iniciais do nome dos cinco garotos, e também tema musical do filme, que sempre em momentos “chave” toca Crazy, de Patsy Cline.


Radiohead.

Estou em êxtase com a idéia da minha querida banda estar vindo no início do ano para o Brasil. Se isso se confirmar estarei lá, sim senhor. Estou viciado em repeating, todas as músicas que ouço, dá aquela vontade de ouvir mais vezes. Tem sido assim com a música Bodysnatchers, essa música me domina total.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

...Então eu caí nos braços de Calipso...

A beleza de Moacir Santos.

Que nos descobrimos nas músicas e nos surpreendemos com ela, isso não é novidade, mas uma coisa me cativou ainda mais, buscando algo de novo para baixar nos blogs da vida relacionado à música, eis que encontro um tal de Moacir Santos, dizia que ele era pernambucano e foi mestre de Baden Powell, daí pensei, como pode ter sido mestre de Powell e eu nunca antes ter notícias sobre esse tal Moacir? Baixei o disco dele, e assim que chegou, os nomes das faixas eram no mínimo curiosos, esses, tinham o nome de “Coisa Nº 4”, na primeira faixa, e assim sucessivamente até a última faixa, mas não em ordem numérica, “Coisa Nº 8”. Pensei, aposto que esses nomes foram colocados porque não sabiam o nome da faixa certo, fui então buscar informações na web, de tanto pesquisar, descobri que eram esses mesmo os nomes das faixas.
A curiosidade já estava a mil, era então adicionar na playlist e ouvir, mas que surpresa mais deliciosa, era uma das coisas mais bela que ouvira, um jazz misturado com bossa nova com algumas batidas da chamada "música africana", maravilha.
Buscando informações sobre Moacir, descobri muito pouco, pouco se tem desse grande mestre, mas o que é fato, enquanto os norte-americanos achavam que tinha revolucionado a música de lá com o jazz, nós aqui já tínhamos Moacir Santos.


Vocês não me entendem?!

Tenho por hábito, não deixar no nick do msn o meu nome, então normalmente deixo nome de artista que gosto, frases de filmes, trechos de alguma música preferida, trechos de livros e entre outras coisas, esses dias coloquei um trecho da música “Porto Alegre”, de Adriana Calcanhoto, a frase é a seguinte: “então eu caí, nos braços de Calipso”, pronto... no mesmo instante que mudei o meu nick, várias pessoas do meu contato por lá vieram me perguntar se eu estava ouvindo Calypso [a banda do norte], outros vieram com brincadeiras do tipo, colocando frases das músicas de Joelma, enfim, meus contatos se assustaram, mas o que eles mal sabem é que Calipso que Adriana Calcanhoto se refere na canção, e a qual usei no nick, é uma ninfa do mar que retardou Odysseus em ilha dela durante 7 anos, daí a bela letra de Adriana que você pode conferir aqui. Fico tão triste quando não entendem os meus nicks. =/

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

perder a mostra de cinema de São Paulo, não pode!


Eu já fiquei desgostoso com a semana pelo motivo de não poder ir na 32ª mostra de cinema de São Paulo, tentei fazer com que a semana fosse livre e eu pudesse ir pelo menos dois dias na grande São Paulo e selecionar alguns filmes que era importante ver, mas nem um dia eu pude ter pra mim mesmo quem me dera dois.
É ridículo o tempo que gastamos com coisas que não são para o nosso próprio benefício, é claro que o trabalho é para fins ganharmos dinheiro para si próprio, mas será que é preciso ficar mais de seis horas num lugar fazendo coisas para terceiros? E o tempo para você, qual é ele e o que você tem para o seu prazer? São perguntas que devemos começar a fazer, temos que melhor lidar com esse negócio que é o tempo, pois um dia ele irá ser maligno conosco.
É mágico acompanhar uma mostra de cinema, a idéia de sair do seu mundo de rotina e passar horas e horas na sala de projeção, nas filas, sentar numa mesa de bar ou padaria e ver as programações e a qual se encaixa com você, com o seu gosto, aí que coisa mais deliciosa, escrevendo esse texto agora, tenho vontade de chorar.
Hoje é o último dia da mostra, e passaram por lá grandes nomes do cinema mundial, o legal [e o chato, também] delas, é que os filmes que são exibidos por lá, normalmente não chegam nas grandes salas de exibições do país e às vezes nem vai parar nas prateleiras das locadoras que você tem o hábito de freqüentar. E mais, na maioria, são filmes alternativos vindos de paises tão distantes, mas tão distantes.
Bom, não adianta de nada ficar chorando o leite derramado. Resta-me procurar pra baixar os filmes que certamente não virá com facilidade em minhas mãos.

sábado, 25 de outubro de 2008

ipod shuffle: da avenida armando salles à marginal mario covas

Voltei a caminhar, bom, tem sido ótimo, fazia tempo que não caminhava. E com esse calor insuportável não dá mesmo para ficar muito tempo dentro de casa, então “bora” caminhar. Pedi para mamãe lavar minha roupa de caminhada, dei um jeito em meu tênis, e fazem duas semanas que já caminho.
Meus amigos sabendo disso, me pediram se podiam caminhar comigo, fui sincero, prefiro caminhar sozinho, disse, pois é um momento da gente, né?! Eu adoro esses momentos em que só está eu com eu mesmo.
Pego meu antigo ipod shuffle e boto as minhas favoritas lá e curto uma caminhada ouvindo as músicas, bom, caminho uma hora por dia, então eu estive percebendo uma coisa, uma hora de caminhada dá aproximadamente para se ouvir um cd inteiro, mas no ipod eu coloco uma seleção de minhas favoritas, a lista de hoje estava: Cat Power, Poe, Metric, Björk, The Last Shadow Puppets, Portishead, PBJ, Les Chansons d'Amour e entre outros. Mas, uma hora de caminhada, não dá para ouvir todas que coloquei, o que me deixa muito triste, então o ipod shuffle tem um “sisteminha” super bacana, você aciona um botão e esse faz com que as músicas toquem aleatórias, então você fica na expectativa de qual música vira, uma sensação deliciosa.
Está sendo tão bom caminhar, deixar um pouco de lado o quarto, a casa da gente. Passamos tanto tempo infurnados neles, que esquecemos do quanto é bom à vida lá fora.
Meus amigos numa mesa de bar esses dias conversando sobre isso, lançaram uma. Disseram que não duraria um mês eu caminhando, isso foi um incentivo para eu continuar a caminhada e mostrar a eles, o quanto estão errados. :D